Skip to content
blog.tiomadev
Go back

Sobre o uso de IAs e capacidade cognitiva

Recentemente, pude participar de uma palestra em que ouvi, pela primeira vez, o termo HyperVelocity Engineering — HVE.

Basicamente, é um termo bem sofisticado que engloba as melhores práticas de engenharia de software para uso com IA:

Documente suas decisões em ADRs
Use Spec-Driven development. O foco agora é na especificação.

Em nosso contexto, da era da Inteligência Artificial, não se pode negar que os desenvolvedores produzem mais código do que comparado anteriormente. Mais features sendo entregues por sprint. Mais PRs sendo abertos por dia. E, de fato, parece que, com as diversas ferramentas de IA disponíveis, os devs entraram no modo de viagem de Hyperspace da Millenium Falcon e aceleraram a forma como entregamos valor.

Millenium Falcon Hyperspeed

Entretanto, percebo que os meus colegas de profissão não têm se atentado para um problema crônico do uso da IA: a falta de profundidade de domínio da codebase.

VOCÊ TEM BRIO?”, diria o professor Clóvis de Barros em seu vídeo.

Assistir a esse vídeo quando estava nos anos iniciais da minha graduação na UFABC me causou efeitos positivos na minha vida acadêmica, pessoal e profissional, além de me trazer boas risadas por contas dos memes que esse vídeo gerou.

Toda vez que vejo um código difícil de entender logo me vem a cabeça:

Como pode alguém escrever uma coisa que eu não entenda? É igual o teorema de Pitágoras! Imagina que ele teve que tirar do zero aquela m*rda toda. Você só tem que aplicar! Você tem que pegar o cateto, elevar ao quadrado, pegar a hipotenusa, elevar ao quadrado, somar, diminuir… E VOCÊ ERRA!

Enfim, risadas a parte, o caro leitor pode estar se perguntando a razão desse vídeo aparecer neste artigo. Aqui vai a explicação:

Em determinado momento desse vídeo (na minutagem de 4’48”), o professor Clóvis fala a seguinte frase: “Você precisa sentar a tua bunda na cadeira e melhorar a tua capacidade de pensamento, porque depois você aplica isso aonde for”.

O que ele quer dizer com isso é que, você precisa ter a experiência de aumentar a tua carga cognitiva, sofrer, pensar, refletir, errar, para melhorar e se desenvolver.

Com as IAs, estou a um prompt de distância de entregar uma feature ou de construir uma tela. Não tenho mais aquele sofrer em pensar na implementação da tarefa. Não preciso mais decorar sintaxe. Não preciso mais aprender o meu ambiente de trabalho, como os comandos do terminal, keybindings do meu editor. O Claude virou nosso mordomo. Um prompt em linguagem natural e pronto.

Mas agora, quando o sistema dá problema em produção na madrugada e você está de on-call?

Quando trocamos o execício da carga congnitiva controlada pela velocidade que as IAs nos oferecem, perdemos a oportunidade de aprender, de pensar, de refletir, de errar e de melhorar.

Fato é que as IAs vieram para ficar. O que nos resta é tentar manter a tradição de sentar a nossa bunda na cadeira e melhorar a nossa capacidade de pensamento, ainda que isso seja cada vez mais difícil de fazer.

Talvez no futuro, com o aumento do preço dos modelos de IA, a gente volte a ter que pensar mais para economizar tokens.

Quem sabe?


Share this post on: